
Fugia da natureza das coisas. Já não estava preparada para as velhas regras de antigamente. As mais rudimentares, as mais complexas. Até as mais intrínsecas. Dentro do metrô, subvertia a ordem ao mero respirar. O simples fato de caminhar já era fugir da normalidade. Aquilo não lhe soava natural, aquele monte de gente agrupada, amontoada.
Ia contra as regras da boa vizinhança, da convivência harmônica entre cidadãos de bem. Ia contra as regras fisiológicas de seu próprio corpo, juntando seu corpo a diversos outros corpos desconhecidos. Espremendo-se entre os outros, chegou às últimas consequências de suas transgressões. Foi contra a maior de nossas motivações como seres vivos, entrou em autocombustão espontaneamente, contrariando o senso de preservação da espécie e de sua própria vida. Queimara alguns ao seu redor e desaparecera como poeira no chão acinzentado do transporte coletivo.
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