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May. 1st, 2012

miúda
todas as noites, meu cachorro faz um esforço tremendo, durante longos minutos para respirar. outro dia, tendo-o no colo senti seu coração batendo. a arritmia foi diagnosticada desde que ele chegou em casa, mas os pêlos grisalhos indicam que é muito mais difícil agora. olha pra mim e não sei o que ele entende da força que faz para o ar entrar. eu só sei que tenho um medo de que ele desista.

Apr. 30th, 2012

graffiti
"Study: A Youth, with a pale Countenance; in a modest Garb; fitting down; his left Hand on a Book, lying open, on which he is very intent; a Pen in his right; a Lamp, and a Cock, on eache Side.
Pale denotes his pining away, his Sitting, his sedentary Life; his being intent shews Study to be a great Application of Mind; the Pen, his Desire to leave something behind him to make him be remembered by others; the Lamp, that Students spend more in Oil, than Wine."

Mar. 13th, 2012

miúda
tinha um judeu que usava roupa de balé pra dormir no prédio do meu terapeuta, que não era meu terapeuta, só me fazia lembrá-lo, mas eu não sabia o nome do homem e ficava pensando que era o terapeuta.

o prédio onde ele morava era de cubículos com parede de vidro, então se a luz estava acesa você via tudo dentro do quarto das pessoas. acho que lá moravam só judeus.

e esse terapeuta tinha documentos do T pra me dar. e desenhos que eu eu fiz nas minhas sessões quando era criança.

só que antes de ir na casa dele pegar os documentos, estava num lugar com A e com B, mas elas ficavam conversando entre si e eu tava sozinha. decidia tomar banho com a mangueira de incêndio

só que eu quebrava a mangueira e ficava pelada na sala (onde estávamos era tipo uma casinha) e ficava triste e amuada e elas viam e eu esperei que me dessem bronca, fiquei abaixada sentada no chão
e A me via e achava que eu estava estranha (!)

e eu me vestia. e ela sentava no sofá que parecia uma cama e eu sentava do lado dela e encostava a cabeça no ombro dela e tentava seguir o ritmo da respiração dela.
aí eu ficava um pouco constrangida e falava "obrigada, A, você já me ajudou bastante"

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Jan. 11th, 2012

miúda
Os cabelos desgrenhados e o olhar perdido, às vezes com toques psicóticos, me faziam ver nela a loucura em uma forma bruta. Eu me desvencilhava, olhando para os cantos, arrumava os cachos de meus cabelos compulsivamente e quando me aproximava de um espelho só podia me enxergar como igual a ela. Havia desespero em mim, era evidente. Não fosse isso, teríamos fingido melhor que tudo estava bem. Não conseguíamos fingir. Nunca, desde antes da loucura se acentuar, da morte de meu irmão, desde bem antes. Há uma certa beleza nisso e dizemos com algum orgulho para nós mesmos "estamos vivendo a verdade", como se bastasse. Se bastasse, eu não teria batido a porta e fugido. Eu não teria soltado as linhas que me prendiam àquelas carcaças. Eu não teria me prendido a novos fantasmas.

Jan. 10th, 2012

graffiti
what have i been doing wrong

could you please answer me?
my private doubts and the public interest.

Aug. 25th, 2011

graffiti
Não fosse a loucura que a tomou naqueles dias, teria notado que eu não já não morava naquela casa. Que meu corpo estendia os lençóis sobre a cama, mas meu espírito cambaleava entre futuros possíveis. Ser humano, com infinitas possibilidades, inacabada por definição, fui criando alternativas mentais de sobrevivência. Não fosse a loucura que tomava conta da nossa casa, todos teriam reparado que eu já não morava ali. Eu morava no corpo morto do meu irmão, morava no homem que depois abandonei. Morava nos labirintos das minhas sinapses cerebrais. Eu não tinha em minhas mãos, porém, um laudo psiquiátrico que me permitia romper os vínculos com determinação. Eu coletava pedaços de mim na casa enquanto passava por seus corredores estreitos e mal-iluminados. Minhas lembranças não eram afetuosas, mas sim revestidas de uma monstrualidade da qual eu não conseguia fugir. Elas eram eu e muito mais do que isso. Elas eram o que eu deixei de ser. Os gritos da mãe ressoava por aqueles mesmos corredores. Era insuportável. O pai, colado em sua poltrona, podia passar uma vida parado, com os olhos suspensos. Eu não. Eu era tudo o que de razão existia, com o desejo de poder titubear.

Aug. 14th, 2011

graffiti
o cristianismo saiu da minha vida quando substituí minhas culpas por minhas frustrações.

variações sobre um mesmo tema

miúda
ensaio sobre como só vivo muito.
vivo muito
só.
só ensaio.

_
uma autobiografia
uma autoautopsia.

Jun. 27th, 2011

graffiti

KD vídeo?

van gogh inspiration

Sam Jovana

rose
Nasceu em Sete Lagoas, em 1991. Gosta de estatística. Já foi uma cineasta em potencial, mas largou a faculdade antes. Desde então passou a compor ilustrações encabeçadas por um certo diretor de cinema muito conhecido por seu pessimismo e humor ácido. Do cinema, fica isso, além, é claro, das pipocas perdidas no estofamento do sofá. Por ora, Sam Jovana é uma quase designer. Nesse campo, fez muitos inimigos. Conquistou um ou outro amigo com quem divide as belezas da vida, ou tão somente a pureza da nicotina. Por via das dúvidas, também faz piadas no twitter. Segundo sua coleta de dados, a situação não está fácil para ninguém, com margem de erro de 2 a 3 pontos percentuais.

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