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babileta
08 November 2009 @ 11:42 pm
Perdi-me por ruas da minha infância. Caminhava sob um sol delirante quando percebi que estava no caminho diferente do que me tinha proposto. Olhei para trás buscando o erro que cometi e, quando virei para frente, reconheci os muros amarelos da escola pública. Pulei-os algumas vezes para brincar na quadra ou esconder-me atrás de árvores. Andei mais um pouco e lembrei-me de uma noite de 31 de outubro em que saímos para pedir doces nas ruas próximas. Por fim, na subida, recordei de uma queda minha, homérica, ao tentar andar de patins.
 
 
babileta
20 October 2009 @ 09:24 pm
O problema da poeira é não ser um elemento químico em si própria. Não há um quadrado numa tabela periódica escrita Po, Poeira, em que facilmente identificamos o número de elétrons de sua última camada. O problema da poeira é ser uma junção de coisas - mortas, em sua maioria. Não é apenas sujeira, é uma sujeira impregnante e impregnada de pedaços de pessoas, de coisas e daqueles elementos químicos cujo número de elétrons é espalhado no diagrama do bom e velho Pauling!
 
 
babileta
12 October 2009 @ 09:17 pm
Trois couleurs: Bleu


Assisti à trilogia das cores já faz tempos, mas ainda falta uma opinião. Existiu na minha vida muita pressão para ver os três filmes (A liberdade é azulA igualdade é branca, A fraternidade é vermelha), com os meus estudos (por ora interrompidos) de francês, com as minhas conversas (à época) frequentes com a Gabi e com a Janine.
Passei na casa da minha tia e vi uma caixa com os três filmes. perguntei se ela queria me emprestar. Ela quis, e, no fim das contas, deve ter ganhado ou comprado outra, porque me deu aquela. Assisti aos filmes em doses homeopáticas, porque sempre dormimos (eu e a minha mãe) quando nos propomos a fazer sessão de cinema na sala. (Ontem dormi vendo Zelig, do Woody Allen; tentarei terminar amanhã).
Cheguemos então à parte em que vi todos os filmes. Imaginava-os diferentes, para ser sincera. Minha expectativa era outra, mas não me lembro mais qual. Depois de ver algo, a imagem em nossa mente muda e fica difícil resgatar a imagem primeira, a que formamos idealmente. No entanto, imaginá-los diferentes não é algo negativo, sobretudo se se gosta de fator-surpresa.
Gostei da estética dos filmes, das escolhas- até um pouco óbvias- de se evidenciar a cor do título em detrimento às outras. Gostei também das narrativas. As histórias, sim, fugiam do óbvio, e não caem na previsibilidade. O desfecho em A fraternidade é vermelha também.

E se é preciso emitir uma opinião estritamente pessoal: o meu favorito foi o A liberdade é azul.
 
 
 
babileta
20 September 2009 @ 09:00 pm
Estamos todos sem vida ao mesmo tempo. E isso não ter ligação direta com a morte em si.
 
 
babileta
13 September 2009 @ 09:08 am

 
Il n’est pas un signe ou un acte de civilisation qui ne soit en même temps un acte de barbarie.

Os sete saberes necessários à educação do futuro:
  1. Conhecimento
  2. Conhecimento pertinente
  3. Identidade humana
  4. Compreensão humana
  5. Incerteza
  6. Condição Planetária
  7. Antropo-ética
  • O conhecimento nunca é um reflexo ou espelho da realidade. O conhecimento é sempre uma tradução, seguida de uma reconstrução
  • É evidente que as disciplinas de toda ordem ajudaram o avanço do conhecimento e são insubstituíveis. O que existe entre as disciplinas é invisível e as conexões entre elas também são invisíveis. Mas isto não significa que seja necessário conhecer somente uma parte da realidade. É preciso ter uma visão capaz de situar o conjunto.
  • Portanto, o ensino por disciplina, fragmentado e dividido, impede a capacidade natural que o espírito tem de contextualizar. E é essa capacidade que deve ser estimulada e desenvolvida pelo ensino, a de ligar as partes ao todo e o todo às partes.
  • Nós somos de uma espécie, mas ao mesmo tempo a espécie é em nós e depende de nós.
  • Somos todos filhos do cosmos, mas nos transformamos em estranhos através de nosso conhecimento e de nossa cultura.
  • Ou vemos a unidade do gênero e esquecemos a diversidade das culturas e dos indivíduos, ou vemos a diversidade das culturas e não vemos a unidade do ser humano.
  • A literatura é para os adolescentes uma escola de vida e um meio para se adquirir conhecimentos.
  • A vida não é aprendida somente nas ciências formais.
  • O homem racional e fazedor de ferramentas, que é, ao mesmo tempo, louco e está entre o delírio e o equilíbrio, nesse mundo de paixões em que o amor é o cúmulo da loucura e da sabedoria.
  • O cinema é uma arte que nos ensina a superar a indiferença, pois transforma em heróis os invisíveis sociais, ensinando-nos a vê-los por um outro prisma.
  • É necessário mostrar em todos os domínios, sobretudo na história, o surgimento do inesperado.
  • Ecologia da ação: a atitude que se toma quando uma ação é desencadeada e escapa ao desejo e às intenções daquele que a provocou, desencadeando influências múltiplas que podem desviá-la até para o sentido oposto ao intencionado.
  • É necessária uma certa distância em relação ao imediato para podermos compreendê-lo. E, atualmente, dada a aceleração e a complexidade do mundo, é quase impossível.
  • Cabe ao ser humano desenvolver, ao mesmo tempo, a ética e a autonomia pessoal (as nossas responsabilidades pessoais), além de desenvolver a participação social (as responsabilidades sociais), ou seja, a nossa participação no gênero humano, pois compartilhamos um destino comum.
  • A antropo-ética tem um lado social que não tem sentido se não for na democracia, porque a democracia permite uma relação indivíduo-sociedade e nela o cidadão deve se sentir solidário e responsável.
  • Não temos que destruir disciplinas, mas sim integrá-las, reuni-las em uma ciência como, por exemplo, as ciências da terra (a sismologia, a vulcanologia, a meteorologia), todas elas articuladas em uma concepção sistêmica da terra.
 
 
babileta
08 September 2009 @ 08:10 pm
Eu correria se tivesse pernas para tanto. Estupidamente, até, correria se tivesse fôlego para chegar a algum lugar. Eu correria para diálogos possíveis e talvez encontrasse uma pessoa com quem conversar.
(eu queria ter pensado em algo para falar)

Eu correria e correr já bastaria. Faria com que eu esquecesse a inércia das mesmas paredes me cercando.
(mas meu cérebro se calou)
E quando eu sentasse, saberia exatamente onde parou a última conversa e todos os assuntos que deixamos pendentes ao longo dos tempos.
(aquela voz não sonora da minha cabeça recusou-se, parecia, a me entregar meus próprios pensamentos)



 
 
ao som de: Regina Spektor - School is out
 
 
babileta
04 September 2009 @ 11:50 pm
 
♥

Senti aquele frio na barriga de novo. Só de lembrar que eu o amo tanto, só de lembrar como tudo começou, do meu silêncio perante quase tudo, dos abraços que eu dava na mochila, do dia em que o trânsito parou e ele continuou comigo dentro do ônibus, ainda que eu dissesse "vai, eu prefiro ficar no ônibus, mas o metrô é uma saída possível". De que eu ganhei no "Stop!", das cartas que mostram como a amizade era o mais importante entre nós e que sem ela o amor-de-fato não poderia existir.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas "Último romance" dos Los hermanos
botam a gente comovido como o diabo.
(e a lembrança do poema de sete faces então, nem lhe digo!)
 
 
ao som de: Último romance - Los Hermanos
 
 
 
 

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