(no subject)
sakura
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Olhei pra mim: os tênis sujos de milkshake, eu vestindo uma blusa sem sentir um pingo de frio e um sorriso enorme pela boa noite passada.
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di solução
miúda
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Naquele choro vindo de lugar nenhum esteve tudo e nada. Grudada à parede, confiando nela para aceitar minha materialidade, chorei e me dissolvi. Eu queria poder explicar e não simplesmente usar de uma metáfora mal estruturada. Eu me diluí como se todas as imagens se tornassem um disco de Newton, tudo ficou branco nos meus olhos apesar de toda a escuridão que eu me proporcionei. Minhas lágrimas potencializavam os efeitos, brincavam de ser caleidoscópios e eu mesma só quis chorar tudo para me deixar leve, nua.

aviso
coeur
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só deixando o endereço do blog novo: hugberries.
disse que o livejournal continuará a existir. sei lá como, ou até quando, mas vai.
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cloud
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Esse cômodo cheira mal, cheiro de merda. Claro que não gosto disso, me desvencilho do odor, mas agora ele está em mim. Sinto um enjôo enorme, muito nojo. Não faz diferença, no fundo. Cada centímetro do meu corpo, por fora, por dentro, parece transpirar e inspirar o fedor que me rodeia. E se fujo, abro a boca, é como se engolisse tudo o que já expeli de mais degradante.

Conversávamos algo muito sério, a respeito de nós dois, como se fôssemos um. Ele falava com muito cuidado comigo, mas sua voz elevava-se. Ele ficava irritado com a minha calma, com meu olhar de peixe morto. Eu entendia cada frase e previa a seguinte. Segurava-me para não terminar todas as suas frases, porque sabia o que ele queria me dizer, sabia tudo o que em mim o irritava. Eu decorava as frases, organizava-as mentalmente, corrigia os erros de gramática, sua fala corrida. Eu, profundamente, não ligava. Ele me disse: "não sei quem você é". Não sei se ri, -não sei se ri muito ou pouco, ou se foi só por dentro -, e respondi: "Eu não sei quem você é, você não sabe quem eu sou. Não sei quem sou. Acho trocas justas".

e só tô triste hoje porque tô cansada
miúda
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"de modo geral eu sou alegre."

http://www.youtube.com/watch?v=9ad7b6kqyok
Entrevista de Clarice Lispector.

2009's retrospective in 4 characters
graffiti
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Dançando no escuro (Dancer in the dark)


Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-blood prince)


Vicky Cristina Barcelona


Abraços partidos (Los abrazos rotos)

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miúda
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"Putinha!" . Ela me dizia enquanto puxava meus cabelos. "Putinha! Você não passa disso! Sabe por quê?" . Não me lembro o porquê, lembro-me dos gritos e quase sinto o desespero no meu couro cabeludo de novo. Eu queria dizer "tire todo o meu cabelo de mim de uma vez, mas não me machuque tanto!". Lembro-me de todos os gritos, mas não sei mais identificar as palavras ou as razões para que tivéssemos chegado àquele ponto. Lembro da humilhação que senti, mas não sei se alguém viu a cena, não me recordo se a casa estava vazia. Andamos alguns metros naquela posição. Ela me puxava pelos cabelos como se eu fosse uma boneca velha. Era como se eu fosse sua boneca feia. Que raiva da boneca feia! Porque, não tendo outro brinquedo por perto, é com a boneca feia que você tem que brincar. É tão inevitável a vontade de machucar dizendo "PUTINHA!", que vontade de machucar de verdade, de descobrir do que é feito aquele bicho que emite sons. Aposto como ela sentia vontade de enfiar as unhas em minha carne e ver se o enchimento da boneca velha se espalharia pelo chão. Desejaria, talvez, que eu reagisse, que eu virasse outra pessoa. Mas do chão levantei-me e continuei respirando da mesma forma de antes, com algum ódio que escondia debaixo de minhas costuras malfeitas.

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cloud
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Raquel sentia suas memórias vivas dentro de sua barriga. Daquelas noites de sexo ela se lembrava de todo o prazer que sentia ao fechar-se em seu próprio corpo. Alexandre sabia bem o que aquilo significava. Quanto mais tocassem um no outro, mais dentro de si mesmos pareciam estar. Não se tratava de eles estarem a sós, mas sim do quanto se sentiam solitários. Não havia idealização ou um objetivo a ser alcançado em cada centímetro de seus corpos em contato. Eram apenas dois corpos materializando desejos pessoais. Se o corpo dela precipitava-se para a frente, o dele não precisaria preocupar-se com fazer o mesmo. Ela estaria onde quisesse até hora em que, em um consenso mudo, ambos se satisfariam e se afastariam instantaneamente, quase por repulsa, quase por instinto.

Ele nasceu fruto de duas solidões.

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miúda
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i'm not on vacation, but i'm already thinking about what to do those days (actualy, those months, although i'm gonna work everyday, except weekends and holidays!).
mental note )
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listas 2009
rose
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Aquilo que vi e li em 2009, só para não esquecer. Acho que tem outros que eu não lembrei por enquanto e espero terminar os que comecei até o início de 2010, nas férias.

listas )

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sakura
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Perdi-me por ruas da minha infância. Caminhava sob um sol delirante quando percebi que estava no caminho diferente do que me tinha proposto. Olhei para trás buscando o erro que cometi e, quando virei para frente, reconheci os muros amarelos da escola pública. Pulei-os algumas vezes para brincar na quadra ou esconder-me atrás de árvores. Andei mais um pouco e lembrei-me de uma noite de 31 de outubro em que saímos para pedir doces nas ruas próximas. Por fim, na subida, recordei de uma queda minha, homérica, ao tentar andar de patins.

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graffiti
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O problema da poeira é não ser um elemento químico em si própria. Não há um quadrado numa tabela periódica escrita Po, Poeira, em que facilmente identificamos o número de elétrons de sua última camada. O problema da poeira é ser uma junção de coisas - mortas, em sua maioria. Não é apenas sujeira, é uma sujeira impregnante e impregnada de pedaços de pessoas, de coisas e daqueles elementos químicos cujo número de elétrons é espalhado no diagrama do bom e velho Pauling!

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cloud
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Trois couleurs: Bleu


Assisti à trilogia das cores já faz tempos, mas ainda falta uma opinião. Existiu na minha vida muita pressão para ver os três filmes (A liberdade é azulA igualdade é branca, A fraternidade é vermelha), com os meus estudos (por ora interrompidos) de francês, com as minhas conversas (à época) frequentes com a Gabi e com a Janine.
Passei na casa da minha tia e vi uma caixa com os três filmes. perguntei se ela queria me emprestar. Ela quis, e, no fim das contas, deve ter ganhado ou comprado outra, porque me deu aquela. Assisti aos filmes em doses homeopáticas, porque sempre dormimos (eu e a minha mãe) quando nos propomos a fazer sessão de cinema na sala. (Ontem dormi vendo Zelig, do Woody Allen; tentarei terminar amanhã).
Cheguemos então à parte em que vi todos os filmes. Imaginava-os diferentes, para ser sincera. Minha expectativa era outra, mas não me lembro mais qual. Depois de ver algo, a imagem em nossa mente muda e fica difícil resgatar a imagem primeira, a que formamos idealmente. No entanto, imaginá-los diferentes não é algo negativo, sobretudo se se gosta de fator-surpresa.
Gostei da estética dos filmes, das escolhas- até um pouco óbvias- de se evidenciar a cor do título em detrimento às outras. Gostei também das narrativas. As histórias, sim, fugiam do óbvio, e não caem na previsibilidade. O desfecho em A fraternidade é vermelha também.

E se é preciso emitir uma opinião estritamente pessoal: o meu favorito foi o A liberdade é azul.

fui no mangue catar lixo, pegar caranguejo, conversar com urubu
graffiti
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Nação Zumbi faz muito sentido no último volume.

http://www.youtube.com/watch?v=UslyiGASz7k&feature=fvw

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sakura
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Estamos todos sem vida ao mesmo tempo. E isso não ter ligação direta com a morte em si.

Edgar Morin
rose
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Il n’est pas un signe ou un acte de civilisation qui ne soit en même temps un acte de barbarie.

Os sete saberes necessários à educação do futuro:
  1. Conhecimento
  2. Conhecimento pertinente
  3. Identidade humana
  4. Compreensão humana
  5. Incerteza
  6. Condição Planetária
  7. Antropo-ética
  • O conhecimento nunca é um reflexo ou espelho da realidade. O conhecimento é sempre uma tradução, seguida de uma reconstrução
  • É evidente que as disciplinas de toda ordem ajudaram o avanço do conhecimento e são insubstituíveis. O que existe entre as disciplinas é invisível e as conexões entre elas também são invisíveis. Mas isto não significa que seja necessário conhecer somente uma parte da realidade. É preciso ter uma visão capaz de situar o conjunto.
  • Portanto, o ensino por disciplina, fragmentado e dividido, impede a capacidade natural que o espírito tem de contextualizar. E é essa capacidade que deve ser estimulada e desenvolvida pelo ensino, a de ligar as partes ao todo e o todo às partes.
  • Nós somos de uma espécie, mas ao mesmo tempo a espécie é em nós e depende de nós.
  • Somos todos filhos do cosmos, mas nos transformamos em estranhos através de nosso conhecimento e de nossa cultura.
  • Ou vemos a unidade do gênero e esquecemos a diversidade das culturas e dos indivíduos, ou vemos a diversidade das culturas e não vemos a unidade do ser humano.
  • A literatura é para os adolescentes uma escola de vida e um meio para se adquirir conhecimentos.
  • A vida não é aprendida somente nas ciências formais.
  • O homem racional e fazedor de ferramentas, que é, ao mesmo tempo, louco e está entre o delírio e o equilíbrio, nesse mundo de paixões em que o amor é o cúmulo da loucura e da sabedoria.
  • O cinema é uma arte que nos ensina a superar a indiferença, pois transforma em heróis os invisíveis sociais, ensinando-nos a vê-los por um outro prisma.
  • É necessário mostrar em todos os domínios, sobretudo na história, o surgimento do inesperado.
  • Ecologia da ação: a atitude que se toma quando uma ação é desencadeada e escapa ao desejo e às intenções daquele que a provocou, desencadeando influências múltiplas que podem desviá-la até para o sentido oposto ao intencionado.
  • É necessária uma certa distância em relação ao imediato para podermos compreendê-lo. E, atualmente, dada a aceleração e a complexidade do mundo, é quase impossível.
  • Cabe ao ser humano desenvolver, ao mesmo tempo, a ética e a autonomia pessoal (as nossas responsabilidades pessoais), além de desenvolver a participação social (as responsabilidades sociais), ou seja, a nossa participação no gênero humano, pois compartilhamos um destino comum.
  • A antropo-ética tem um lado social que não tem sentido se não for na democracia, porque a democracia permite uma relação indivíduo-sociedade e nela o cidadão deve se sentir solidário e responsável.
  • Não temos que destruir disciplinas, mas sim integrá-las, reuni-las em uma ciência como, por exemplo, as ciências da terra (a sismologia, a vulcanologia, a meteorologia), todas elas articuladas em uma concepção sistêmica da terra.

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cloud
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Eu correria se tivesse pernas para tanto. Estupidamente, até, correria se tivesse fôlego para chegar a algum lugar. Eu correria para diálogos possíveis e talvez encontrasse uma pessoa com quem conversar.
(eu queria ter pensado em algo para falar)

Eu correria e correr já bastaria. Faria com que eu esquecesse a inércia das mesmas paredes me cercando.
(mas meu cérebro se calou)
E quando eu sentasse, saberia exatamente onde parou a última conversa e todos os assuntos que deixamos pendentes ao longo dos tempos.
(aquela voz não sonora da minha cabeça recusou-se, parecia, a me entregar meus próprios pensamentos)




coeur
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♥

Senti aquele frio na barriga de novo. Só de lembrar que eu o amo tanto, só de lembrar como tudo começou, do meu silêncio perante quase tudo, dos abraços que eu dava na mochila, do dia em que o trânsito parou e ele continuou comigo dentro do ônibus, ainda que eu dissesse "vai, eu prefiro ficar no ônibus, mas o metrô é uma saída possível". De que eu ganhei no "Stop!", das cartas que mostram como a amizade era o mais importante entre nós e que sem ela o amor-de-fato não poderia existir.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas "Último romance" dos Los hermanos
botam a gente comovido como o diabo.
(e a lembrança do poema de sete faces então, nem lhe digo!)

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sakura
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- o senhor quer sentar aqui?
- não, obrigada... não gosto desses bancos que vão de costas.
*pausa*
- quem andava de costas era o michael jackson. e não durou muito, né?

hoje, no metrô.

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graffiti
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Fugia da natureza das coisas. Já não estava preparada para as velhas regras de antigamente. As mais rudimentares, as mais complexas. Até as mais intrínsecas. Dentro do metrô, subvertia a ordem ao mero respirar. O simples fato de caminhar já era fugir da normalidade. Aquilo não lhe soava natural, aquele monte de gente agrupada, amontoada.
Ia contra as regras da boa vizinhança, da convivência harmônica entre cidadãos de bem. Ia contra as regras fisiológicas de seu próprio corpo, juntando seu corpo a diversos outros corpos desconhecidos. Espremendo-se entre os outros, chegou às últimas consequências de suas transgressões. Foi contra a maior de nossas motivações como seres vivos, entrou em autocombustão espontaneamente, contrariando o senso de preservação da espécie e de sua própria vida. Queimara alguns ao seu redor e desaparecera como poeira no chão acinzentado do transporte coletivo.


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