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babileta
13 June 2009 @ 12:20 am
eu tenho vontade de chorar. muita vontade. de sentar e chorar. e quando vi que a calá disse sobre estar chorando pelos corredores, eu quis ocupar um corredor, sentar nele e chorar. eu não entendo o mundo e isso dá um desespero. eu costumo ter crises existenciais doentias, mas elas são mais fáceis de se curar. eu penso "na hora de morrer eu penso nisso" e vou seguindo minha vida. mas, desde terça-feira, eu não consigo lidar mais com minhas opiniões ou com o bombardeamento de notícias. eu não sei bem onde foi que tudo começou, parece que o tempo está se condensando. começaram assembleias estranhas, chatas, greve ou indicativo de greve, bah, é greve de funcionários, nós não temos pq intervir. aí entrou a polícia e as aulas foram pra frente dos policiais e foi bonito e vi meus amigos e era estranho e quase feliz, porque eu pude ver outros cursos, eu vi vida pulsando. até que surgiram bombas e tiros, e aquelas armas do meu tamanho foram usadas e o prédio de que tanto gosto virou esconderijo. mentira, eu nem gosto daquele prédio, mas não titubearia em chamá-lo de segunda casa. eu penso nisso todo o tempo, exceto quando o trabalhodeantiga1.doc se faz mais urgente, e eu quero entender aonde vamos chegar e pq. é que as pessoas sentem um ódio tão grande e, gente, é só brincadeira de política, é só um monte de gente pensando um monte de coisa, não precisa me odiar. eu virei um coletivo e me sinto bem com isso. é estranho, mas parece que é buscar aquilo que talvez tivesse sumido no meio de tantos indivíduos e agora eu digo no metrô "calma, não precisa empurrar" e acho que as pessoas não gostam. acho que elas pensam nejiwerjernjaminhavidapontocompontobr. é como se a vida tivesse um sofrimento a mais, mas um sofrimento válido. porque eu quis ser professora e eu quero entender de educação e eu quero que o mundo não vire as costas pra mim, que eu continue conseguindo conversar com crianças ricas israelitas e crianças pobres do abc paulista e eles me entenderem e a gente rir porque tem medo de fantasma e os adolescentes me respeitarem como uma autoridade embora eu seja dois anos mais velha que eles. talvez eu ouça um pouco de fado agora, pra chorar o que ficou engasgado.
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ao som de: Vai passar - Chico Buarque
 
 
babileta
05 April 2009 @ 11:56 pm
Desde que recebi por correio um caderno tenho me posto a versificar pensamentos. A Janine bem me disse que era para a minha poesia diária e eu pensei que não existia aquilo. Que seria um projeto a longo prazo. O caderno é lindo, tenho vontade de levá-lo comigo para todos os lugares (não nego que o tenho feito; só evito levar a reuniões familiares porque desenho pessoas nuas).
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sentindo: thankful
 
 
babileta
07 October 2008 @ 07:14 pm
Foi como desgostar de tudo. De tudo o que faço ou fiz. Olhei pra esse blog e detestei-o. Com tanta força! Nem eu sabia que a falta de vaidade poderia chegar a uma marca abaixo de zero. Detestei o reflexo de minh'alma na tela do computador, mesmo sabendo que aquelas (essas) palavras são muito menos do que eu. Ou melhor, não são eu. São fragmentos, que são parte de mim com partes do que nunca fui e escrevo para ser. Faz-de-conta.

Pelas ruas do mundo (finjam que mundo é algo amplo e não uma leve referência a essa cidade-prisão), penso em parágrafos, penso em personagens, vejo pessoas, caricaturas de suas próprias vidas. Mas nunca mais tive tempo de articular existências e organizá-las em linhas, dois-dedinhos-parágrafo. Peguei um bloquinho que ganhei de aniversário e pus na mochila. E, dentro do ônibus, desenho pensamentos. Porque eles fogem tão rápido! Eu peço ao motorista "corra, moço, eu tenho uma aula pra ver, três textos pra ler, atividades para preparar!" e tudo corre junto. O trânsito não. Tráfego de escravos.
 
 
 
 

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